Livros do Escritor
quarta-feira, 30 de janeiro de 2019
terça-feira, 29 de janeiro de 2019
(…) A seguir, uma beira de
estrada, um carro a desacelerar, o vidro baixa, o sujeito anafado, com uma
calvície suada, mais velho que o pai, de sorriso suíno, três frases e negócio
firmado, ela com a urgência renovada de retomar a fuga, a dignidade já nem nos
bolsos, seguiram-se mais beiras de estrada, matagais, pensões de colchas
nodoadas, contudo, a certa altura, percebeu-se numa fuga solitária, já sem amigos, o amigo mais próximo pareceu-lhe um sonho de uma outra vida…
in O silêncio do verbo
sexta-feira, 25 de janeiro de 2019
Todos os sonhos cumpriram-se, menos o sonho
A última vez que o vi? Bom, foi há umas semanas, fomos lá a casa, e, não
sei porquê, achei-o ainda mais calado, à superfície apenas a circunstância,
pouco mais, a minha cunhada sempre aquém desta realidade, com ela as palavras
circunscreviam-se a bibelôs e cortinados, o mais ser-lhe-ia inconcebível, pois,
a vida é isto, dois estranhos a viver sob um tecto durante décadas, ele
apercebeu-se do erro já tarde, demasiado tarde, acreditava no destino, e,
durante muitos anos, aceitou-o, até deixar de o suportar, repare nisto: todos
os seus actos foram de uma extraordinária lucidez! Não admito outras conjecturas
acerca do seu comportamento! Nem tão pouco juízos de valor! Creio,
sinceramente, que ele entrou numa espiral de desencanto, haverá coisa pior? Numa dolorosa lentidão, foi deixando, deixando, deixando, o exterior,
para se refugiar em si (…)
quinta-feira, 24 de janeiro de 2019
sexta-feira, 18 de janeiro de 2019
(…) pousa a caneta, olha-o, o rosto dele a chamá-la, ela
levanta-se, dá-lhe a mão, dedos entrelaçam-se no reforço de uma união sentida,
o rosto dela pede-lhe compreensão, ele hesita no cansaço, sim, a fadiga, ter um
prato arrefecido como horizonte ao jantar, ela reforça a união de dedos,
deposita-lhe o rosto no peito, e murmura inaudivelmente Sabes, tenho o mundo dentro de mim, assim ficam durante algum
tempo. Enquanto, lá fora, as luzes dos homens turvam o mapa dos céus.
in Não saias do meu horizonte
quarta-feira, 16 de janeiro de 2019
terça-feira, 8 de janeiro de 2019
(…) quanto a ti,
suprimimos, por uns tempos, as nossas solidões, contudo, a minha regressava,
creio que, de facto, nunca partiu, sempre aqui esteve comigo, acompanhou-me em
cada passo, tenho de ir, ouço minha Avó a chamar-me, está ali, um pouco mais
acima, talvez precise de ajuda com a lenha.
in Harmonia
domingo, 6 de janeiro de 2019
Para quando uma luz que ilumine a noite da minha alma?
Há uns dias que esta frase não me
larga (O sonho tem a altura da infância),
surgiu-me assim de rompante, como quase todas as frases, nem me lembro onde
estava, e eu, fascinado, a ouvir o seu eco em mim, O sonho tem a altura da infância, e a compreender, subitamente,
muita coisa, a começar pela estreiteza dos meus sonhos, de facto, já tiveram
horizontes mais latos, entardeceres mais alaranjados, noites mais azuladas,
pois, de facto, hoje tudo uma outra coisa, será
viver o desaprender do sonho? (…)
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