domingo, 30 de setembro de 2018

Epitáfio



Sempre assisti aos risos, sobretudo dos outros, como se de uma ilha, talvez mesmo de um continente longínquo, como se aquela realidade, o riso, constituísse, em si mesma, uma obscenidade, porque o nosso destino é o silêncio, mas enquanto para aqui andamos, sempre esta insistência no barulho, no movimento, por norma excessivo e inconsequente, talvez porque o pensar estagnado na ilusão que nos querem crer o mundo, mas, hoje, pensei na frase do adeus ao aqui, que palavras irei proferir quando já não for uma voz, tantas e tantas frases escritas, qual seleccionarei? De repente, cai-me uma evidência com uma luz demasiada, a minha frase do adeus ao aqui será aquela que nunca escrevi, acho o mais sensato, se já aqui não estou, porquê insistir numa forma de adeus, tantas e tantas palavras gravadas na pedra, umas grandiloquentes, outras sob um véu de simplicidade, mas a espreitar a porta da eternidade...

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