Livros

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domingo, 6 de outubro de 2019



No fundo, o mundo é o vazio derramado por um solitário candeeiro, a realidade desperta, adormece e sonha em nós.
in Deslumbramento


quinta-feira, 3 de outubro de 2019

A noite do mundo



Há uns dias, ouvi de alguém a seguinte frase: “Receio por si após terminar o livro”, pois, e eu terminei o livro, compreendi a frase, inteligente, sopesada, a sua amplitude pelo contexto, mas, repito, terminei o livro, e a questão maior levanta-se-me: E agora? E agora? Mais de seis meses nisto, escrever, corrigir, reler, reescrever, apontamentos, notas, reflexões, de novo, escrever, corrigir, reler, reescrever, por fim, o mais desejado e simultaneamente o mais doloroso, despedir-me, como se dissesse adeus a um familiar próximo, lá vai seguir o seu caminho, ser alvo de múltiplas interpretações, algumas tacteiam o que ali verti de mim, outras distantes, nem pelo horizonte do que por ali testemunhei, contudo, nem ouso uma correcção, não tenho esse direito, de facto, ninguém o tem, direccionar uma interpretação, espartilhá-la, velho e sabido, cada um acede à obra com a sua ”chave”, daí haver tantos livros quantos os seus leitores, filmes quantos os seus espectadores, neste momento, acredito que o meu caminho se fez do mundo para mim, como se fosse recolhendo tudo o que estivesse largado por aí, para, finalmente, regressar-me, de livros já não falo, quem me ensinou a folheá-los, caminha há muito por outras paragens, de filmes também não, percebi que os meus horizontes têm outras colorações, houve uma altura onde ainda um esforço para o diálogo (“Já viste o último filme do… No último Sábado, vi um filmão… Nem imaginas… Devias ver o…”, hoje, nada disto, vejo, analiso e calo-me, é o melhor, o restante não vale a pena, sinto, de dia para dia, um decréscimo de essências, enquanto vazios se multiplicam numa ferocidade vertiginosa, numa ameaça patente de tudo tomar, chamo-lhe o “Coro dos Tempos”, cada época tem o seu, por norma, quase todos procuram juntar-se-lhe, num receio claro de que a sua voz não ecoe, não seja aceite e reconhecida, como sempre me dei bem com a minha voz, não me interessa vê-la associada a outros timbres, daí esta coisa que me acompanha os passos de ser avesso a aglomerados, há uma questão essencial a que nenhum homem devia fugir, eu, há uns dias, resolvi olhá-la, sentar-me diante dela, compreendi-a na sua essência, daí saber que jamais lhe poderia responder: “Qual foi a última vez que foi para a rua jogar à bola com os amigos?” A questão encerra, em si mesma, a tristeza (ou felicidade?) da ignorância: o desconhecimento de ser a última vez! Não me lembro, duvido que alguém se recorde, da última vez que procurou pedras para demarcar as balizas (…)

domingo, 29 de setembro de 2019


Um dos terrores de qualquer criança é tornar-se naquilo que mais repudia: um adulto.
in Deslumbramento


sexta-feira, 27 de setembro de 2019

segunda-feira, 23 de setembro de 2019


Acredito que só se morre por inteiro quando deixamos de ser memória para alguém.
in Deslumbramento