Livros

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domingo, 7 de outubro de 2018

Paragem de autocarro



Pela janela da sala, do outro lado da rua, eu via a paragem de autocarro, nunca liguei muito àquela armação metálica onde, quase sempre, fora da hora prometida, chegava um veículo para despejar gente e levar outra tanta, como se mercadoria, só que quem subia e descia aqueles dois degraus eram sonhos, embora a maioria inconclusos, no fundo, creio que a totalidade, da janela do hoje já não vislumbro uma paragem de autocarro, e tenho saudades, porque, a partir de certo momento, eu tudo via menos aquela armação metálica, minha mãe, no início, ficava, da janela, a ver-me atravessar a estrada, de mochila às costas, por norma, nunca me sentava naquilo que se convencionou apelidar de banco, primeiro, porque estava sempre ocupado, independentemente da hora, segundo, nunca me deu para tal, ainda bem, cedia espaço a quem, de facto, dele precisava, e aqueles minutos de espera sempre serviam para esticar as pernas, foi, lembro-me tão bem, no segundo dia de aulas (…)

sábado, 6 de outubro de 2018


Hoje pensei na frase do adeus ao aqui, creio que esta seja a mais ajustada: Talvez por aqui o meu pensar encontre a serenidade…
in Epitáfio



domingo, 30 de setembro de 2018

Epitáfio



Sempre assisti aos risos, sobretudo dos outros, como se de uma ilha, talvez mesmo de um continente longínquo, como se aquela realidade, o riso, constituísse, em si mesma, uma obscenidade, porque o nosso destino é o silêncio, mas enquanto para aqui andamos, sempre esta insistência no barulho, no movimento, por norma excessivo e inconsequente, talvez porque o pensar estagnado na ilusão que nos querem crer o mundo, mas, hoje, pensei na frase do adeus ao aqui, que palavras irei proferir quando já não for uma voz, tantas e tantas frases escritas, qual seleccionarei? De repente, cai-me uma evidência com uma luz demasiada, a minha frase do adeus ao aqui será aquela que nunca escrevi, acho o mais sensato, se já aqui não estou, porquê insistir numa forma de adeus, tantas e tantas palavras gravadas na pedra, umas grandiloquentes, outras sob um véu de simplicidade, mas a espreitar a porta da eternidade...

domingo, 23 de setembro de 2018


… uma casa é tudo menos as paredes, aprendeu isto à medida que foi somando ausências e compreendia o crescente vazio de silêncios à sua volta…

in Regressar