Livros

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segunda-feira, 10 de setembro de 2018



O futuro é o invisível da imaginação.
in Etc


quinta-feira, 6 de setembro de 2018


terça-feira, 4 de setembro de 2018

Etc…


Acabo de terminar a chamada e ainda perdura em mim a voz, melodiosa de esperança, da minha filha mais nova “Domingo, não queres vir almoçar cá a casa connosco?”, acho espantosa a sua inextinguível capacidade de perdão, depois de tudo, sento-me na cama e olho a fotografia, talvez ali propositadamente colocada, na mesa-de-cabeceira, pela minha mãe, nós os quatro, sorridentes, como não podia deixar de ser, foi no casamento de um primo dela, as miúdas bem mais novas, é natural, passaram doze anos, e parece que foi há pouco, talvez anteontem, doze anos, meu Deus (levanta-se-me, de imediato, uma velha e cansada questão: Quando perdi o tempo?), contudo, se atentar bem, tanta coisa passou, os sorrisos daquela foto esmoreceram, o casamento do primo também, tal como o nosso, e por total culpa minha, agora que olho para isso, desta distância, ainda a voz, melodiosa de esperança, da minha filha mais nova (“Domingo, não queres vir almoçar cá a casa connosco?”), continuo sem perceber muito bem se errei, porque, de certa forma, não, minto, se me fosse concedida a possibilidade de retornar no tempo, sei que daria exactamente os mesmos passos, não há como lhe fugir, com todo o sal que daí brotou, em mim e nos outros (...)

sábado, 1 de setembro de 2018







... ficámos a ver os últimos vestígios de luz no horizonte, umas pinceladas de laranja que irrompiam do cinzentismo generalizado, as águas espelharam avidamente cada resquício de luz, como se sedentas de cor antes dos braços da noite, nós ali ficámos a assistir emudecidos e gratos àquele final...
in Deslumbramento

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Quantas casas cabem numa vida?




Comecei a aperceber-me de que ela não estava bem, logo no primeiro fim-de-semana, a seguir ao almoço, íamos àquele restaurante de que tanto gostava, sempre a gabar as doses fartas e saborosas – creio que não havia um único conhecido seu que não tivesse ouvido falar no dito restaurante –, era um Sábado, acabámos um pouco antes das quinze, enquanto pagava, não sei porquê, mas fiquei a observá-la, como se para me assegurar de que era desta, de que não havia mais equívocos, porém, daquela curta distância, não obstante o contínuo cirandar de vultos, no interior concorrido do estabelecimento, visualizei-lhe o início de um terror mudo pela face, nessa altura, entre o pagamento, a espera pelo troco, pensei, confesso, que o equívoco estivesse em mim, talvez não a tivesse observado devidamente, contudo, assim que saímos para a calçada ensonada, numa tarde de Sábado, daquela povoação, como uma evidência, saltou-me à vista o seu flagrante terror perante a actual circunstância (...)