Livros

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domingo, 15 de julho de 2018


É sempre invernosa a compreensão do erro.

in "Preferia ser uma floresta do que uma estrada"

sexta-feira, 13 de julho de 2018


É impossível, com o tempo, não nos tornarmos saudosistas. Acho que as saudades são proporcionais aos grisalhos. É uma aprendizagem da vida. Parece que, de certa forma, vamos sendo empurrados para fora do palco do existir: pela saúde, pelas modas, tecnologia, convenções, ideias, hábitos…

in "Harmonia"

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Preferia ser uma floresta do que uma estrada


Sabe, hesitei muito antes de lhe telefonar, mas tinha de lhe dizer que a figueira, sim, essa mesma, foi derrubada (o necessário e arrastado silêncio para trazer o ontem ao hoje), pois, calculei que lhe dissesse respeito, espero não estar a incomodá-la… Óptimo! Óptimo! Não imagina as formas que pensei para iniciar esta conversa, sim, é verdade, parece que temos sempre a mesma idade, obrigado, também é bom ouvi-la, desde já, desculpe o formalismo, mas não me sentia à vontade para tratá-la na segunda pessoa, não estou a ouvir bem… O quê? Ah, sim, já estou a ouvir melhor, olhe, vou-lhe contar as coisas como aconteceram, como sabe, nunca fui amigo da mentira, tive de vender a quinta que era pertença da minha família há, pelo menos, três gerações, era isso ou o meu filho acabava mal, o jogo (por momentos, só se ouvia o respirar dar voz ao sentir)… Sabe como é, quando sobra em tempo o que falta em cabeça, o resultado, por norma, chama-se desastre, foi o que aconteceu (...)


Escrever é uma forma de dizer não ao acontecer.
in "Mas antes, já aqui estivemos"

terça-feira, 3 de julho de 2018

Mas antes, já aqui estivemos




Somos nós que pertencemos a um lugar e nunca o inverso, basta pensar que todo o lugar nos sobrevive, por muito que o tentem deformar, e infelizmente cada vez mais isso sucede, até que o mundo se torna um lugar estranho, há umas semanas resolvi visitar lugares do ontem, foi com tristeza que compreendi que o ontem só em mim morava, pois tinham iniciado a deformação das coisas, vivemos, há muito, sob a lei dos trolhas, não fôssemos por eles (des)governados, alcatrão, betão, mais betão, mais alcatrão, vedar vistas, enterrar cada vestígio de natureza, por ténue que seja, se alguém levanta a voz face a isto, logo se ouve o habitual chavão É o progresso! Não quereis pão na mesa dos vossos filhos? É isto que gera empregos! Calem-se e aproveitem, a sorte só bate à porta uma vez! (...)


sábado, 30 de junho de 2018


Nunca choramos a morte dos outros, mas sim a nossa saudade.
in Pouso Feliz