Livros

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sexta-feira, 13 de julho de 2018


É impossível, com o tempo, não nos tornarmos saudosistas. Acho que as saudades são proporcionais aos grisalhos. É uma aprendizagem da vida. Parece que, de certa forma, vamos sendo empurrados para fora do palco do existir: pela saúde, pelas modas, tecnologia, convenções, ideias, hábitos…

in "Harmonia"

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Preferia ser uma floresta do que uma estrada


Sabe, hesitei muito antes de lhe telefonar, mas tinha de lhe dizer que a figueira, sim, essa mesma, foi derrubada (o necessário e arrastado silêncio para trazer o ontem ao hoje), pois, calculei que lhe dissesse respeito, espero não estar a incomodá-la… Óptimo! Óptimo! Não imagina as formas que pensei para iniciar esta conversa, sim, é verdade, parece que temos sempre a mesma idade, obrigado, também é bom ouvi-la, desde já, desculpe o formalismo, mas não me sentia à vontade para tratá-la na segunda pessoa, não estou a ouvir bem… O quê? Ah, sim, já estou a ouvir melhor, olhe, vou-lhe contar as coisas como aconteceram, como sabe, nunca fui amigo da mentira, tive de vender a quinta que era pertença da minha família há, pelo menos, três gerações, era isso ou o meu filho acabava mal, o jogo (por momentos, só se ouvia o respirar dar voz ao sentir)… Sabe como é, quando sobra em tempo o que falta em cabeça, o resultado, por norma, chama-se desastre, foi o que aconteceu (...)


Escrever é uma forma de dizer não ao acontecer.
in "Mas antes, já aqui estivemos"

terça-feira, 3 de julho de 2018

Mas antes, já aqui estivemos




Somos nós que pertencemos a um lugar e nunca o inverso, basta pensar que todo o lugar nos sobrevive, por muito que o tentem deformar, e infelizmente cada vez mais isso sucede, até que o mundo se torna um lugar estranho, há umas semanas resolvi visitar lugares do ontem, foi com tristeza que compreendi que o ontem só em mim morava, pois tinham iniciado a deformação das coisas, vivemos, há muito, sob a lei dos trolhas, não fôssemos por eles (des)governados, alcatrão, betão, mais betão, mais alcatrão, vedar vistas, enterrar cada vestígio de natureza, por ténue que seja, se alguém levanta a voz face a isto, logo se ouve o habitual chavão É o progresso! Não quereis pão na mesa dos vossos filhos? É isto que gera empregos! Calem-se e aproveitem, a sorte só bate à porta uma vez! (...)


sábado, 30 de junho de 2018


Nunca choramos a morte dos outros, mas sim a nossa saudade.
in Pouso Feliz

terça-feira, 26 de junho de 2018

Só nascemos no dia em que nos conhecemos




A música viaja-nos pela memória, ilumina paisagens que julgámos esquecidas, levanta-nos dias que atirámos para um qualquer canto obscuro de nós sem direito a um porquê, no fundo, mostra-nos quem fomos, quem somos, por onde caminha o nosso sentir, por onde andou, e até onde se perdeu, às vezes de onde dificilmente ressurgiu, neste ponto, recordo-me bem, guiava ameno, longe de tempestades doutrora, mas temperado pela sua presença, havia nela qualquer coisa de uma tarde de Domingo, como se um guião há muito conhecido, porém, de onde não podiam surgir naufrágios, às vezes, é o suficiente, e, neste ponto da minha vida, aprendi e bem, a valorizá-lo (…)