Livros

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segunda-feira, 16 de abril de 2018



Li uma vez, já não me lembro onde, que para fazermos Deus rir devemos contar-lhe os nossos planos. Mas, naquele tempo, nós éramos os próprios deuses. E ríamos bem alto… Até que os risos se tornaram um eco longínquo. Até o tempo o silenciar por completo. Até que, por fim, nos alimentamos de memórias do que fomos para nos esquecermos daquilo em que nos tornámos. Porque só olha para o passado quem sente o desconforto do presente.
in Queria rever o teu rosto ao entardecer

sexta-feira, 13 de abril de 2018


Por fim, o sol obrigou-o a desviar-se. Olhou um ramo próximo. Admirava, agora, a graça com que se alongava, em contínuas multiplicações, numa harmonia de matéria e céu. Como se abraçasse o todo, e tangesse a impossibilidade. De súbito, levou a mão ao rosto. Contemplou as inscrições gravadas na palma. E, então sim, compreendeu…

in Queria rever o teu rosto ao entardecer

terça-feira, 10 de abril de 2018


Recordou aquela vez, há muito passada, em que acompanhou, precisamente dali, a lenta e cantada aparição do nascer do mundo. Nessa altura, o alaranjado do horizonte soube-lhe a vastidão. Já não se recorda de há quanto tempo foi, parecia-lhe, agora, ter sido numa outra vida. Sim, é verdade, quantas vezes se morre e nasce ao longo de uma vida?

in Do outro lado do rio, há uma margem

domingo, 8 de abril de 2018


Compreendo, com tristeza, que a felicidade é sempre retrospectiva. É sempre a estação deixada para trás. Toda a tristeza do mundo desenha-me no rosto a ténue linha de um sorriso compreensivo – aquele que provém do tempo.
in Queria rever o teu rosto ao entardecer

sexta-feira, 6 de abril de 2018


Com o tempo, aprende-se o desperdício do barulho, afinal, a última estação é a do silêncio.
in Do outro lado do rio, há uma margem


quinta-feira, 5 de abril de 2018


Somos cemitérios de afectos.

                                                        in Harmonia