quarta-feira, 11 de outubro de 2017
domingo, 8 de outubro de 2017
"Noites
de hospital, noites de gritos de uma dor só. Num momento de pausa, ela atravessa
corredores de desespero, até à enfermaria onde ele se encontrava, uma desculpa
profissional para se justificar por ali, mas ele ausente, a sua pausa a
expirar, regressava quando o vê sair de um gabinete, num esforço patético de
naturalidade, acompanhado de outra enfermeira, que se digladiava com uma chuva
de cabelos para repor a touca, ela cola-se à parede do lado oposto do corredor,
numa ânsia de invisibilidade, passa por eles, nada é dito, nem um cumprimento,
de novo, uma questão cansada lhe surge A
que sítio pertencemos?"
in "Do outro lado do rio, há uma margem"
terça-feira, 3 de outubro de 2017
"Se algum dia me sentir só com as
minhas convicções, sempre posso ligar a televisão, agarrar num certo dvd, ouvir
o eco de uma voz (Tens de ver este filme!),
e rever Shane, e quando, no final,
assistir à sua partida, rumo às montanhas anoitecidas, resta-me acompanhar o
miúdo no seu grito final: Adeus, Shane!"
in "Adeus, Shane"
sexta-feira, 29 de setembro de 2017
quinta-feira, 21 de setembro de 2017
"E agora, minha filha? Sei que tiveste de ser sedada já
por duas vezes. Dizem que, por vezes, acontece. Não te preocupes, ainda não há
falatório. Ele, lá fora sentado, só está preocupado contigo. Agora, a mim
preocupa-me o inocente que ainda nem a mãe conhece. Vais alimentá-lo enquanto
conseguires. Chegou a altura de representares um papel deveras difícil. Depois,
alegas o que quiseres, que eu cuido dele. Não te esqueças: só se aprende ao
olhar para cima. Mas disto, és incapaz! Sabes, serás sempre infeliz, porque
viverás sempre contigo. Exactamente de onde foges a cada instante. Talvez seja
esse o bálsamo da morte: libertarmo-nos de nós."
in "Do outro lado do rio, há uma margem"
segunda-feira, 18 de setembro de 2017
"Ela,
neste momento, a ver-se, ali, parada, numa imobilidade expectante, na margem da
estrada. A figura continua a cavar. Vestia um daqueles pares de calças que
ostentava a geografia do tempo, uma outrora branca camisa desabotoada, e na
cabeça pontificava uma boina que cheirava a sal e a terra. Raros são os
objectos que comportam estes odores: sal e terra: o sonho e a realidade."
in "Do outro lado do rio, há uma margem"
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