Livros

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quarta-feira, 11 de outubro de 2017


domingo, 8 de outubro de 2017



"Noites de hospital, noites de gritos de uma dor só. Num momento de pausa, ela atravessa corredores de desespero, até à enfermaria onde ele se encontrava, uma desculpa profissional para se justificar por ali, mas ele ausente, a sua pausa a expirar, regressava quando o vê sair de um gabinete, num esforço patético de naturalidade, acompanhado de outra enfermeira, que se digladiava com uma chuva de cabelos para repor a touca, ela cola-se à parede do lado oposto do corredor, numa ânsia de invisibilidade, passa por eles, nada é dito, nem um cumprimento, de novo, uma questão cansada lhe surge A que sítio pertencemos?"

in "Do outro lado do rio, há uma margem"

terça-feira, 3 de outubro de 2017



"Sempre que me falam de cinema, é a cena final, deste maravilhoso filme, que me povoa, não sei porquê, ou talvez saiba, afinal, não há questões sem resposta, teria os meus doze anos quando, lá por casa, meu pai Tens de ver este filme! Ouvi-o e, de imediato, assenti, regra geral, sempre que meu pai (Tens de ver este filme!), acertava, neste caso, foi mais além…"


"Se algum dia me sentir só com as minhas convicções, sempre posso ligar a televisão, agarrar num certo dvd, ouvir o eco de uma voz (Tens de ver este filme!), e rever Shane, e quando, no final, assistir à sua partida, rumo às montanhas anoitecidas, resta-me acompanhar o miúdo no seu grito final: Adeus, Shane!"
in "Adeus, Shane"

terça-feira, 26 de setembro de 2017

quinta-feira, 21 de setembro de 2017


"E agora, minha filha? Sei que tiveste de ser sedada já por duas vezes. Dizem que, por vezes, acontece. Não te preocupes, ainda não há falatório. Ele, lá fora sentado, só está preocupado contigo. Agora, a mim preocupa-me o inocente que ainda nem a mãe conhece. Vais alimentá-lo enquanto conseguires. Chegou a altura de representares um papel deveras difícil. Depois, alegas o que quiseres, que eu cuido dele. Não te esqueças: só se aprende ao olhar para cima. Mas disto, és incapaz! Sabes, serás sempre infeliz, porque viverás sempre contigo. Exactamente de onde foges a cada instante. Talvez seja esse o bálsamo da morte: libertarmo-nos de nós."

in "Do outro lado do rio, há uma margem"

segunda-feira, 18 de setembro de 2017


"Ela, neste momento, a ver-se, ali, parada, numa imobilidade expectante, na margem da estrada. A figura continua a cavar. Vestia um daqueles pares de calças que ostentava a geografia do tempo, uma outrora branca camisa desabotoada, e na cabeça pontificava uma boina que cheirava a sal e a terra. Raros são os objectos que comportam estes odores: sal e terra: o sonho e a realidade."

in "Do outro lado do rio, há uma margem"