Livros

Livros

segunda-feira, 28 de agosto de 2017


"Agora, apenas um espelho de pedra. E as datas. E ele, em si, a memorizá-las, como se precisasse, mais com o olhar, ao mesmo tempo que se irava contra os balizamentos do social. Duas datas: parecia um bilhete tornado epitáfio; e da viagem, nem um vislumbre…"

in "Do outro lado do rio, há uma margem"

sexta-feira, 25 de agosto de 2017


"Por fim, o sol obrigou-o a desviar-se. Olhou um ramo próximo. Admirava, agora, a graça com que se alongava, em contínuas multiplicações, numa harmonia de matéria e céu. Como se abraçasse o todo, e tangesse a impossibilidade. De súbito, levou a mão ao rosto. Contemplou as inscrições gravadas na palma. E, então sim, compreendeu…"

in "Queria rever o teu rosto ao entardecer"


terça-feira, 22 de agosto de 2017


"A questão de sempre: a realidade não sonha, é sonhada. E o tempo do sonho não é o tempo do homem. É uma outra coisa. Daí a dor do acordar…"
in "Queria rever o teu rosto ao entardecer"

quarta-feira, 16 de agosto de 2017


O mito é o respirar do sentido.

in Queria rever o teu rosto ao entardecer

quarta-feira, 9 de agosto de 2017


"... ficaram os quatro sobre a falésia, aquém verbo, a olhar a praia que, a seus pés, se estendia até ao opulento e desafiador promontório, num incessante baile de ares, areias e águas. Movimento, foi a palavra que adveio ao espírito de Luís, e que traduzia, na perfeição, aquele cenário. Nada era estático. Tudo se mobilizava, a começar nas incessantes colinas de água das vagas, que se diluíam na areia, para logo ressurgirem no zénite líquido, tudo pautado pelo contínuo silvar do vento, passageiro das ondas, intemporal escultor dos caminhos do homem."

in "Queria rever o teu rosto ao entardecer"

segunda-feira, 7 de agosto de 2017


"Trouxe consigo, no regresso, apenas o possível. Como há muito aprendera a fazer. Afinal, a maior jornada não era a ida ao supermercado, mas a odisseia mensal da sobrevivência. Havia, de facto, naquela cidade, e em muitas outras do país que a vira nascer, muitos milagres da multiplicação. E só um país onde há fome é pródigo em taumaturgos.
Ao chegar, não houve o canto da sua ave. Também ela se silenciara. Sobe as escadas num esforço indizível. A dor é sempre incomunicável. Mete a chave à porta, e o seu coração aquece-se. Ouve o som familiar de alguém que a espera. Em breve, estará aos saltos a seu lado, a pedir comida, a lamber-lhe as mãos na singularidade de uma ternura desmedida. Sim, é a sua única companhia. É quem se senta a seu lado a olhar as fotografias."

in "Com a idade aprende-se a dizer Adeus"