Naquela estação, não houve beijos, longos abraços, dedos que se tocam, nada… Isso é para os filmes! Assim que a marcha se iniciou, nem os olhos se reencontraram mais. Nada! Ela inicia o regresso. Talvez cambaleie, afinal, quem conhece a sua geografia interior daquele momento? Cabeça baixa, uma mão no bolso, a outra segura um objecto (qual?), e o passo incerto de quem só possui pretérito. Quantas vezes na vida apenas temos pretérito? Porventura, vezes a mais… Mas quem o reconhece?
sexta-feira, 21 de julho de 2017
"... com o tempo, o sorriso foi
estreitando enquanto os braços empalideciam, aquela vozita filha da
espontaneidade foi ficando arrastada, curioso, nunca quis nada que lhe
ocultasse o roubo da coroa, apenas uma frase para atenuar o efeito, Assim pareço o Avô, talvez compreendesse
que há vazios intangíveis, talvez por gritarem para além da rouquidão, ainda
ontem, ao telefone, falava-lhe de natais por nascer e de aniversários por
cumprir, os braços lívidos ajudaram-no a pousar o telefone, percebeu-lhes a
dificuldade, afinal, ninguém ilumina um universo para assistir ao seu sono."
in "Os anjos não caminham"
terça-feira, 18 de julho de 2017
"Nessa noite, a nossa amizade viu a luz do dia. Uma amizade sem exigências: no fundo, a verdadeira. Minto, ele apenas me pedia que o levasse a passear duas vezes por dia. De manhã, para me mostrar a leveza do ar e a nitidez das coisas; e à noite, para me ensinar a distância das estrelas e sentir a respiração da terra. Em verdade, não pedia muito. Quantos não pedem mais, e não nos ensinam nada?"
in "Só espero que encontres um lugar onde reclinar a cabeça"
sábado, 15 de julho de 2017
"Afinal, tudo não passa de uma enorme desilusão pelo nada que foi dito, e
pelo tudo que ficou por dizer. As falanges a serenar enquanto os olhares agora repousam
naquele silêncio de fim. Ela acrescenta Esta
é a tua história. Cheguei a meio. Porém, conheceste-me no cinzento e
trouxeste-me para o azul. Ele sorri. Vira-se para ela e beija-lhe a face.
Assim ficaram, até que um ligeiro frio lhes relembrou noite. As águas
silenciosas agora em prata. Regressam ao quarto ainda de sentires entrelaçados.
Fecham a porta de vidro. Acendem um candeeiro. O mundo, lá fora, já uma noite
imensa. Enquanto eles se sorriem sob uma luz."
in "Do outro lado do rio, há uma margem"
segunda-feira, 10 de julho de 2017
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