Hoje vou falar de futebol. Confesso
que desconheço o que me impele a tal coisa. Afinal nunca havia escrito sobre o
mundo da bola. Apesar de, quem me conhece, saber da minha paixão por um clube
que morou a Norte… Não é equívoco o uso do pretérito. De facto, o meu Futebol
Clube do Porto partiu para um qualquer lugar incógnito... E não há sinais de
que tão cedo regresse. Numa madrugada de há muito, mas simultaneamente parece
que ontem, acordei sozinho, nem dei trabalho ao despertador, por casa, o
silêncio da hora, pelas ruas, volta e meia, o eco de um carro como um singular
lamento num tempo que se prolonga em demasia, mas, como disse anteriormente,
hoje vou falar de futebol, pouco passava das cinco da manhã, nessa madrugada de
há muito, porém, foi das vezes que menos me custou a acordar, para mim, talvez
pela idade, ainda desconhecia o que era uma lâmina de barbear, havia qualquer
coisa de aventura no ar, um quê de magia sobre as coisas, algo de irrepetível
que só a meninice proporciona, talvez seja o futuro de portas escancaradas,
pois, talvez...
domingo, 14 de maio de 2017
terça-feira, 9 de maio de 2017
domingo, 23 de abril de 2017
Rio Pranto
Sempre ouvi dizer que Chorar faz bem! Não sei se é verdade.
Talvez seja uma forma que encontrámos para nos levantarmos e retomar o caminho…
Pois, é possível. Conheci-a há uns anos, numa fase da minha vida complicada,
como se alguma vez a minha vida tivesse outra coisa que não fases complicadas, tinha
alugado um quarto numa pensãozita esconsa, metida numa travessa onde dia e
noite se confundiam...
sexta-feira, 14 de abril de 2017
O desencanto impronunciado de um Domingo à tarde
Foi assim, num repente, mas como tudo
nesta vida, demorou o seu tempo, embora, para mim, reafirme que foi num repente, como dizia, após
duas décadas, que, vistas daqui, parecem-me dois dias, ele Precisamos de conversar… Não sei se foi do Precisamos de conversar, de suster a respiração para articular as
palavras, da sua expressão que denunciava uma irredutibilidade demasiado
teatral, tudo num esforço...
sexta-feira, 31 de março de 2017
Saudades do futuro
Há gente que, não sei porquê, parece que passa pela vida sem que nada de especial aconteça, creio que, se hoje os reencontrasse, estariam nos mesmos lugares a desempenhar exactamente as mesmíssimas tarefas doutrora, como se o tempo tivesse virado costas àquelas paragens, e há outros, enfim, que são engolidos nas mais tumultuosas correntes… Se analisar devidamente ambos os percursos, confesso que não invejo nenhum, do fastio de conhecer há muito os amanhãs, à incerteza da próxima esquina (...)
domingo, 19 de março de 2017
Eu mais eu igual a qualquer coisa de indefinível
Sempre que sexta-feira, fim de tarde, Despacha-te começa a repetir-se lá por
casa, a voz de minha mãe num volume crescente, os meus nervos em parelha com a
sua volumetria, eu perdida atrás de objectos que insistem, não sei porquê, em
esconder-se de mim quando estou refém da pressa, percorro as escassas divisões
da casa que, em momentos assim, se me afiguram planícies de horizontes
inalcançáveis, uma vez mais Despacha-te, outra
ainda, Despacha-te, nisto a
campainha, apresso-me a atender, já sei que voz me aguardava (...)
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