Bem sei que hoje quase não há cestos de papéis, e os
poucos sobreviventes habitam, com certeza, em lares onde a sua missão há muito
não é cumprida, não por culpa própria, como é evidente, mas pela idade de quem
os olha. Sempre que via uma secretária, sabia que, por baixo ou ao lado, lá
estaria o inevitável cesto de papéis, como se fosse um facto da ordem do
existir. Hoje, por muito que me custe, as coisas alteraram-se, e, raramente,
por baixo ou ao lado de uma secretária, se encontra um cesto de papéis. É
sempre difícil lidar com uma alteração na ordem do existir, parece-nos que, de
repente, alguém invadiu a casa do nosso viver e nos desarrumou as coisas(...)
quinta-feira, 9 de março de 2017
terça-feira, 28 de fevereiro de 2017
Ali onde não há ontem nem amanhã
De vez em quando, regresso-me àquele lugar, não sei
porquê, no acaso do dia, a imagem irrompe pelo meu pensar, e ali me fico, de
novo, como se nunca tivesse partido, a luz peculiar, a harmonia dos sons, a
doçura leve do ar, tudo a envolver-me, porém, sei-me no desconforto distante da
minha circunstância. Quando férias, sub-repticiamente, tento elencá-lo como uma
possibilidade, ela, de imediato, refuta, sempre com a mesma argumentação, de
tão repetida, já lhe conheço a sequência, as noites frias, a escassez de
diversões, a água gelada, o vento, sempre o vento, incessante, no fundo, é mais
uma brisa, mas ela, logo, a exponenciar a coisa, por vezes, devido à convicção
das suas afirmações, quase acredito que um desconfortável vento frio no lugar
de uma reconfortante brisa do entardecer (...)
domingo, 26 de fevereiro de 2017
domingo, 11 de dezembro de 2016
domingo, 17 de janeiro de 2016
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